segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O que se absorve do cotidiano

Hoje eu me estressei. Peguei carona, que enrolou pra me levar, e no final, quase decidi que seria melhor ter pêgo ônibus. Cheguei, na correria, quase atrasada no cinema. E na afobação do dia e dos acontecimentos, fiquei divagando ao ver as imagens, quase o filme inteiro. Consequência, esta, de planejar tantas coisas pra um só dia e querer englobar várias tarefas na mesma viagem. Sem contar, a expectativa para o dia de amanhã e perspectivas para a semana, fato quase rotineiro na vida de uma pessoa, infelizmente, ansiosa como eu. Após o término do filme, voltei a lentos passos para a entrada do shopping, sem pressa, e vejo a circular passar na minha frente, como, por ironia do destino talvez, não tinha ninguém esperando no ponto, ela passou rapidamente e minha correria repentina foi em vão. Esperei 50 minutos pelo próximo ônibus. Nesse meio tempo, com raiva, só conseguia pensar "1 minuto antes, UM MINUTO ANTES". Ao sentar, esperamos uma cadeirante entrar. Bastou. Eu não tinha o direito de me rebelar, estressar. Tenho pernas saudáveis. Não devia ser permitido pessoas sem deficiências físicas reclamar da vida. Como se não bastasse, ao chegar no terminal, um jovem se ajoelha no ônibus para pedir R$6,50 de sua passagem, por motivo que nem me lembro o qual, pois na hora só conseguia chorar e sentir a dor do peso na consciência. Encontrei uma amiga no ônibus, que proferiu palavras muito bonitas vindas de seu depoimento de vida. Senti um conforto. Uma angústia. Sensibilidade. Quando refleti o fato novamente, concluí que Deus, àquele em que ela acredita, a tinha mandado àquele ônibus.
Agora, com lágrimas nos olhos, consigo enxergar mais além, era Deus falando através dela.